Toda vez quando o peito aperta mais forte - mais precisamente, pelo fato de ter banda -, eu penso como seria a minha vida se eu não tivesse entrado nessa. Se eu tivesse simplesmente ignorado o violão azul empoeirado, em cima do armário. Se eu não tivesse comprado aquele jogo de cordas Rouxinol nylon pra, enfim, aprender alguns acordes. Sabe aquela teoria maluca do Donnie Darko e o futuro paralelo? Pois é. Agradeço por não ter ganhado uma turbina em cima do meu quarto. Ou coisa que o valha.
No último domingo, presenciei um show da ex-extinta banda Aster. Alguns dos integrantes continuam no “ramo” musical, se preferir chamar assim. Talvez por quê dependam dessa vontade intensa em subir no palco e exteriorizar algo que tá preso, uma cólera incontida que se resume em frases e barulho. E o que se viu foi essa tal exteriorização de sentimentos descrita na cara de cada um deles. Poucas vezes vi tanta sinceridade em estar fazendo algo. E mais, os Aster tinham o apoio massivo de uma módica quantidade de pessoas, que entonavam as músicas em voz alta.
Mais do que tudo isso descrito, impossível não reparar nos outros integrantes que, por culpa (talvez obrigação) do destino, desistiram da música. A vida pode ser cruel e te privar de alguns prazeres, definir suas prioridades e impor o deadline. Talvez seja uma decisão difícil, até insana. Eis que a nostalgia chega, dando tiro na maçaneta e tornando algum mero momento de lembranças em algo grandioso. A nostalgia nos deixa assim, meio tolos.